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segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Capítulo 19

- CLAIRE -

Markus entrou em contato com Arthur afim de que ele o levasse até Ben.

Arthur ainda estava inconformado com a morte de Margot, pois ela era tudo o que lhe restava dos seus tempos de juventude. Ela tinha sido a sua melhor amiga durante muitos anos.

Era domingo pela manhã, as ruas ainda estavam molhadas por causa da chuva que caíra naquela madrugada.

Ben olhava através da janela do escritório de Freddy, ele tinha passado todos aqueles dias e noites a procura dos dados. Ele estava exausto e tinha uma forte dor de cabeça.

Por volta das duas da tarde o sol saiu firme e forte, ele precisava se apressar para o encontro com Arthur e Markus na Altstadt, quem sabe Arthur ainda poderia lhe trazer uma pista sobre o paradeiro do menino.

Eles se encontraram em uma taberna espanhola chamada La Bodega.

Ben estava extremamente nervoso com este encontro, pois seria a primeira vez que ele encontraria Markus depois daquela sessão de socos no apartamento de Gabriella há anos atrás, uma verdadeira eternidade, pensava ele. Mas não o suficiente para que ele pudesse ter esquecido. Por outro lado, ele também estaria com Arthur e desde aquela conversa no apartamento dele e da visita ao subterrâneo ele estava evitando encontrar-se com ele.

Mesmo estando vivendo todo este drama, ele estava feliz. Feliz por saber que Gabriella estava viva em algum lugar. Mas onde? Por alguns segundos um pensamento sombrio povoou-lhe os pensamentos: Será que eles não a pegaram novamente? Certamente que Steffany e Klaus nao a deixaria escapar tao facilmente assim? Só de pensar nisso ele estremeceu. Eu espero que ela tenha conseguido fugir.

Ele tinha tomado muito cuidado com o caminho que fizera para chegar ao restaurante e só depois de ter absoluta certeza de que não estava sendo seguido resolveu entrar, lá já esperavam Arthur e Markus que também tiveram um cuidado extremo. Ben estendeu-lhe a mão e Markus retribuiu-lhe ao cumprimento.

-Nem sei se devo começar com um pedido de desculpas. - falou Ben dirigindo-se a Markus.

-Não será preciso, Ben, eu posso entender.

Uma linda garçonete perguntou em espanhol se desejavam beber alguma coisa. Vestida tipicamente, ela estava muito bem maquiada, os cabelos presos para trás com uma flor amarela. Vestia um vestido longo cheio de babados em camadas com bolas amarelas Um xale de seda com franjas em tons amarelo mais forte com fundo preto, tinha a forma de triangulo e lhe cobria parte dos ombros, com um nó preso na altura do peito completava o visual.

Eles pediram Sangria, uma bebida típica da Espanha feita com vinho tinto, laranjas e maçãs picadas, também pediram algumas Tapas para beslicarem enquanto conversavam.

Ben perguntou a Arthur se ele sabia que Gabriella tinha tido um filho com ele o que ele respondeu que sim e aí Arthur começou a contar-lhe a segunda parte da história, mas que infelizmente a criança havia morrido algumas horas depois de ter nascido.

-Eu sinto muito, Ben. - disse Arthur.

-Foi algo terrível para ela, a morte do filho - complemento Markus.

-Mas isso não é verdade. - retrucou ele sem entender o que se passava na cabeça deles. Arthur achou que Ben não queria aceitar a notícia da morte do menino. O que ele podia entender muito bem. - Mas nada disso é verdade. - retrucou Ben novamente. - A criança está viva e é refém de Steffany, Klaus e do desgraçado do meu irmão. Victor é o meu filho com Gabriella.

Então Ben contou-lhes de como ele foi levado como refém por Klaus e Steffany e do vídeo que ele vira da gravidez de Gabriella e de como eles invadiram o quarto do hotel em Lion onde Gabriella estava hospedada. Eles não podiam acreditar em tamanha farsa.

-Você pode imaginar, Arthur, onde o meu filho poderia estar agora? Você acha que Karin também está por trás de toda esta sujeira? Eu não me surpreenderia com nada mais.

-Se tem alguém que nada sabe, essa pessoa é Karin, ela é muito ingênua para desconfiar de alguma coisa e por outro lado ela confia cegamente em tudo o que seu irmãozinho diz. Com certeza Georg a está usando como tem usado a todos nós.

-Eu fui até a casa deles, mas a empregada me disse que eles saíram de férias e que não sabe para onde eles foram. Você acha que eles seriam capazes de fazer alguma coisa contra ela? - perguntou Ben a Arthur.

-Eles são capazes de tudo Ben, não se esqueça de que Georg matou o próprio pai. Você não acha que ele mataria Karin se ela soubesse ou desconfiasse de alguma coisa?

-Se for assim, então ela está correndo um risco grande, nós precisamos achá-la o mais rápido possível.

-Mas onde ela poderia estar com o Victor? - perguntou Arthur.

-Pensem em algo concreto. - falou Markus.

-Como assim? - perguntou Arthur.

-Com certeza deve existir algum lugar onde ela sempre gostou de estar. Pensem bem, Georg não iria deixar que ela viesse a desconfiar de alguma coisa e segundo, ela deve estar pensando que eles estão tirando férias e por isso o lugar deve ser maravilhoso.

-Acho que você tem toda a razão Markus - comentou Ben - Mas também para um lugar onde ela sempre gostou de estar, nós saberíamos e isso seria fácil de se associar. Não, não creio que eles a tenham levado para algum lugar conhecido por nós. Por outro lado eu desconheço totalmente os gostos de Karin.

-Mas talvez exista alguma coisa na casa deles que você possa achar, Ben, ou mesmo se identificar e levá-lo até ela. Acho que se você indagar alguma coisa à empregada, ela não vai levantar suspeitas, não custa perguntar - falou Markus.

-Mas eu já estive lá. Não creio que eu possa descobrir mais do que já descobri - falou Ben sem esperanças.

-Você já esteve com os pais dela? Talvez com a mãe dela em particular, por exemplo? Filhas sempre confidenciam alguma coisa para a mãe. Vá visitá-los, leve flores, bombons, mulheres gostam dessas coisas - Ben sorriu achando boa a sugestão de Markus.

-Vou fazer isso o mais rápido possível. - respondeu ele.

-Eu já contactei um dos meus homens para seguir Georg e vou saber se temos novidades - disse Markus.

-Pode esquecer, ele também está sumido há dias, mesmo antes do meu rapto. - falou Ben.

-Tenho alguns homens de confiança que estão no pé dele há tempo, não se preocupe, ele vai aparecer, esteja certo - falou Markus.

-Será que não há nada mais que possamos fazer? - perguntou Ben na esperança de ouvir uma outra sugestão.

-Infelizmente não Ben. Georg, Steffany e Klaus estão envolvidos com pessoas bem perigosas, mesmo que eles quisessem retornar, desistir, eles não poderiam. - disse-lhe Arthur.

-A coisa é muito séria Ben. Basta te dizer que eles não só ofereceram os dados para os australianos como também para os russos altamente ricos, poderosos e que estão envolvidos com o governo. - esclareceu Markus.

-Eles enlouqueceram de vez. E a polícia? Acha que eu deveria contar tudo o que sei para o inspetor Teuscher? - tentou Ben ainda argumentar. - Ele poderá me prender a qualquer momento.

-Eles também não sabem muita coisa, até onde eu sei, eles estão juntando os pedaços. Nós estamos mais a frente porque os personagens desse caso, são por acaso, nossos conhecidos. Por isso sabemos mais que eles, mas infelizmente nenhum de nós tem provas suficientes para incriminá-los. A Interpol mesmo, para quem eu trabalho, também não tem mais informações do que a polícia alemã ou a polícia holandesa ou a polícia austríaca ou outra lá que esteja envolvida. É um caso muito melindroso onde todos nós já perdemos alguém bem querido - comentou Markus lembrando-se de Margot.

Ben pensou em perguntar por Gabriella, mas achou melhor não fazê-lo. Ele ainda não estava convicto se podia confiar mesmo em Arthur. E será que ele poderia realmente confiar nesse tal de Markus Krämer? E se tudo não passasse de uma cilada dos dois para saber se ele já havia achado os dados? E se esses dois trabalhassem para uma dessas gangues? Eu não confio em mais ninguém que não seja eu mesmo - pensou Ben.

Ele não ficou ali muito tempo, pois precisava voltar para a redação e procurar os benditos dados, ele precisava fazê-lo.

-Mas por onde começar? - pensou Ben.

Ben se levantou e se despediu de ambos, Arthur fez menção em levantar-se e quis ir junto com Ben, mas Markus pediu-lhe que ficasse um pouco mais, pois ele tinha um pacote de Margot para ele.

Ambos foram em direção ao carro de Markus que estava estacionado no pátio de uma igreja católica ali na Altstadt.

- Isso é de Margot para você. Ela entregou-me há algum tempo atrás quando os cientistas envolvidos com toda esta história, começaram a morrer. Ela me pediu que se um dia alguma coisa lhe acontecesse que eu deveria entregá-lo a você.

-O que é isso?

-É melhor que você mesmo veja em casa com calma.

Markus o abraçou fortemente e entrou no carro. Ele tinha saudades de Margot. Arthur pôde ver isso em seus olhos, ele deveria estar sofrendo muito.

Arthur ainda caminhou sem rumo pela cidade velha e somente quando estava anoitecendo ele chegou ao seu apartamento. Preparou uma dose de whisky para ter coragem de abrir o pacote que Margot havia deixado para ele. Sentou-se no sofá e lentamente o foi abrindo.

As lágrimas vieram-lhe aos olhos e desceram pelas suas faces à medida que via as fotos deles do tempo da universidade.

-Bons tempos!

Um tempo ingênuo que nunca mais iria voltar. Ele e Freddy rindo abraçados, ele e Claire sua primeira paixão. Margot, Claire, Freddy e eles pescando...

Tudo agora era saudade, Arthur se sentia pesado, cansado, envelhecido.

Se ele pudesse voltaria ao passado e faria algumas coisas diferentes.

Havia uma carta lacrada para ele. Era de Claire. Ele franziu a testa sem entender o porquê de uma carta de Claire para ele, mas à medida que ia lendo ele mal podia acreditar...

Meu querido Arthur, sinto muito ter feito você sofrer e sinto também ter-me feito sofrer. Mas eu pensava não ser a pessoa mais indicada para caminhar a seu lado. Por isso preferi deixar você seguir o seu caminho. Seu futuro era muito promissor e eu tudo o que queria da vida era tocar meu violão. Eu sabia que você se tornaria um grande redator e eu ao seu lado só iria te atrapalhar.

Você sabe como eu sempre fui meio maluca, eu e o meu violão nascemos para ficarmos juntos. Eu pensava que não poderia me casar, pois nasci para ser livre. Esse foi o meu primeiro pensamento em relação a nós dois quando terminamos os nossos estudos.

Mas o destino havia resolvido brincar comigo, pois três meses depois que nos separamos, eu descobri que estava carregando em meu ventre o fruto do nosso amor e aí eu entendi que ser livre era estar a seu lado, mas você havia partido para a Alemanha. Não o culpei por isso é claro, pois toda a decisão havia sido minha. A gravidez encheu-me de coragem e eu recebi o nosso filho com lágrimas nos olhos e dei a ele o nome de Markus.

-Markus! - exclamou Arthur lentamente - Meu Deus! Markus? Não pode ser!

Arthur agora devorava as palavras daquela carta, pois ele queria conhecer o final daquela história.

Pois é, ele nasceu grande como você e com os cabelos da cor dos seus. Quando eu reuni coragem para embarcar para a Alemanha e te contar toda a verdade, eu soube que você havia se casado e então preferi não atrapalhar a sua felicidade. Mas eu queria, Arthur, que você soubesse que você foi o meu único e grande amor. Que antes de você eu nunca soube o que era o amor e depois de você o meu único amor foi o nosso filho.

Eu, Margot, escrevi esta carta para você Arthur. Pois eu sei que Claire, minha irmã sempre quis te dizer isso pessoalmente. Mas quando Markus tinha 7 anos ela sofreu um acidente de carro e faleceu no mesmo instante.

Eu tomei Markus como meu filho, mas jurei no túmulo dela que um dia lhe contaria toda a verdade, pois este era o desejo da minha irmã. Mas parece que o destino não quis que eu estivesse viva para esse encontro seu com o seu filho. Markus conhece toda a verdade, pois Claire sempre falou de você com muito orgulho, amor e carinho para ele. Ela ensinou Markus a te amar e ele te ama e te respeita como pai. Eu espero Arthur, meu grande amigo, que vocês possam ser felizes como pai e filho que nunca puderam estar juntos.

Sua amiga Margot.

Arthur tinha um nó na garganta, as lágrimas lhe escorriam grossas pelo rosto. Ele estava como um débil repetindo o tempo todo em voz alta e embargada pelas lágrimas.

-Ó Deus! Eu tenho um filho! Um filho com Claire! Um filho! Um filho! Muito obrigado, Claire, muito obrigado, Margot, minha grande e fiel amiga!

Ele chorava agora tão alto e tão convulsivo que não podia mais controlar-se. Tudo era diferente, ele tinha agora um motivo de ser, um motivo pelo qual lutar, lutar e vencer e ele iria vencer.

Já era bem tarde da noite quando o sono, o cansaço e a embriagues o pegou e o fez adormecer entre o sonho e a realidade de ser pai. Toda esta revelação para ele havia sido demais.

-Eu sempre te amei. Eu sempre te amei. - repetia Arthur sem saber mais se era parte da carta que ele havia lido ou se era o interior dele que confessava ainda amar Claire, o seu grande amor da juventude.

******

- BEN X GABRIELLA -

Markus encontrou o endereço de Gabriella e nesta noite ele tocou três vezes seguidas a campainha de sua porta como ele sempre fazia e depois tornou a tocar mais três vezes seguidas e imediatamente a porta se abriu. Gabriella o abraçou, feliz por vê-lo, mas ficou mais surpreendida quando Markus colocou-se de lado e Ben apareceu em sua frente.

-Vocês têm muito que conversar, mas eu também precisava vê-la. Ben, você sabe onde e como me encontrar.

E assim Markus se foi e Ben entrou no apartamento pequeno onde Gabriella estava escondida. Ele tinha os olhos brilhantes e a voz embargada pela emoção.

-Nem sei por onde devo começar. - disse Ben meio sem jeito. Gabriella por sua vez não sabia também o que dizer. Seus pensamentos estavam confusos..., mas o seu coração lhe dizia que ele era inocente e que ela precisava ouví-lo.

-Que tal pelo começo? Quero saber sobre Richard.

-Eu não o matei, isso eu posso te dizer. - respondeu Ben sentando-se no pequeno sofá.

-Já podia imaginar depois do que Markus me contou sobre os atentados.

-Gabriella, estou tão feliz por você estar viva, por favor deixe-me te contar toda a minha vida, tudo o que eu sempre quis esconder por vergonha e medo do meu passado.

E então Ben começou a contar-lhe tudo.

Ele também lhe contou o quanto ele ficou feliz quando eles se conheceram e dele saber que ele era capaz de amar.

E quando Ben disse isso, ele estava sendo tão sincero, suas palavras estavam tão envolventes que Gabriella não resistiu e o abraçou e eles se beijaram e ali mesmo no pequeno sofá eles se amaram. Se amaram com tanta intensidade como que querendo compensar o tempo perdido entre eles.

Mais tarde Gabriella tornou a interrogá-lo...

-Mas o que tenho eu a ver com tudo isso? Por que Steffany e Klaus atentam contra a minha vida? O que foi que eu fiz a eles?

-Tudo isso é porque nos amamos Gabriella. Steffany se sente uma perdedora, ela não conhece a palavra derrota. Compreende?

-Não, não compreendo.

-Isso ainda não é tudo Gabriella. Por que você não me contou que estava grávida? Grávida de mim? Que esperava um filho meu?

Gabriella surpreendeu-se com a revelação.

-Foi Markus quem te contou?

-Não, eu soube por Steffany.

Ben tentou encontrar as palavras certas para contar-lhe toda a verdade.

-Como assim por Steffany, eu nunca lhe disse que estava grávida de você.

-Eu sei, mas em seu apartamento em Colônia tinha e tem câmaras secretas espalhadas por todos os lados. Steffany nunca tirou o olho de você. Cada passo seu estava sendo vigiado e controlado, por isso ela sabia de tudo. Eu sei que tudo o que Steffany faz, é tão perfeito e real que ninguém pode acreditar em outra coisa. Por outro lado eu também fui envolvido em tudo isso e sei o que ela já me aprontou. Por um tempo eu até acreditei que ela havia mudado, mas agora sei que não - Falou Ben amargurado.

- Eu tenho algo muito importante para te dizer, meu amor - continuou ele. - E sei que você vai ficar enlouquecida de alegria. - falou ele imaginando na alegria dela ao ficar sabendo que o filho deles vive. Mesmo sabendo que teria de dizer-lhe que naquele momento Víctor estava sendo refém de Georg e essa era a parte mais difícil.

-Eu também tenho algo para te revelar Ben e é algo bem triste.

Ben já podia imaginar o que seria. As mãos dela estavam tremendo e ela por si só tremia muito. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela balançava a cabeça negativamente. Ele podia perceber o tamanho da sua dor. Ele a tomou nos braços e ela chorou alto e convulsivamente.

-Ele está vivo Gabriella. O nosso filho está vivo. - Ela afastou-se dele lançando-lhe um olhar interrogativo. Ele continuou. - O nosso filhinho está vivo e se chama Victor. E ele é lindo, saudável e inteligente!

Ben respirou fundo. Ele não sabia como continuar o resto daquela história. Seus olhos azuis estavam brilhantes pelas lágrimas, pela dor, pelas recordacoes.

-Não pode ser Ben, eu o enterrei.

-Você enterrou o filho de alguma outra, mas não o nosso filho. O nosso filho está vivo em algum lugar que eu desconheço. - agora vinha para ele a parte mais difícil. - Ele foi raptado por Georg, Steffany e Klaus. Eu mesmo tive a alegria de tê-lo nos braços muitas vezes quando visitei Georg e Karin durante estes anos. Ah, se eu soubesse que ele era o nosso filho...

Ben não agüentou e deixou-se levar também pelas lágrimas.

-Quando você foi enviada a Lion para aquele trabalho de última hora, eles já tinham planejado tudo. Primeiro eles forçaram o seu chefe a te enviar para lá, pelo que fiquei sabendo, Röstner lhe devia alguns favores. Depois, no hotel em Lion, Steffany e Klaus e mais algumas pessoas que trabalham para eles te levaram para uma clínica sedada e lá eles te submeteram a uma cesariana e roubaram o nosso filho. Georg meu irmão o levou para casa e contou uma história fascinante para Karin, sua esposa, e ela recebeu o menino.

-Mas como eles podem ter o controle sobre a vida de tantas pessoas?

-Não me pergunte, porque eu também não sei.

-E essa Karin, onde ela está agora? Vamos atrás dela.

-Não é tão simples assim e você ainda desconhece parte de toda esta trama.

E então Ben começou a contar-lhe sobre as experiências do pai e de tudo como se deu e que agora ele teria que achar esses dados. Só assim eles lhe devolveriam o pequeno Victor.

-Eu mal posso acreditar em tudo isso! E você sabe onde esses dados estão? - perguntou Gabriella nervosa andando para lá e para cá na pequena sala do apartamento de uma colega dos tempos de faculdade.

-Eu não tenho a menor idéia. - respondeu Ben desanimado. - Eu tenho andado como louco tirando tudo do lugar na tentativa de encontrá-los.

-E Arthur?

-Ele também não sabe.

-Meu Deus! Isso é terrível de pensar. Logo ago ra que temos o nosso filho ele nos é arrancado das nossas mãos. Ben, nós precisamos fazer alguma coisa, pelo amor de Deus, nós precisamos agir. - falou Gabriella entre lágrimas.

Ela estava desesperada e tentava pensar em algo, mas ela não conseguia pensar em nada. As emoções daquele dia já tinham sido demais para ela.

-Eles não estão brincando, Ben, eu já senti na pele o que eles podem fazer para chegar aonde eles querem. - ela agora só pensava no filho, no risco que ele deveria estar correndo. Eles precisavam fazer algo e bem depressa.

-Eu sei Gabriella, eu também já senti na pele.

-Você me disse que para a polícia você é o principal suspeito pela morte daquela mulher encontrada morta no rio Reno. E quem sabe pelos outros corpos também. Por acaso você conhecia essa mulher que foi assassinada por eles??

-Não. Aquela infeliz foi resultado das experiências feita por eles.

-Meu Deus! Quanta gente mais precisa morrer?

-Espero que nenhum de nós, mas por outro lado eu não posso contar essa história para a polícia. - respondeu-lhe Ben.

-Por que não?

-Você acha que eles iriam acreditar numa história dessas? De que alguém descobriu como prolongar a vida replicando as células do corpo?

-Mas quem sabe a polícia também já descobriu alguma coisa relacionada com isso e ela poderia nos ajudar. - contestou Gabriella.

-Seria arriscado demais, e por outro lado, eu não quero pôr a vida do pequeno Victor em risco. Seria perigoso demais.

-Me conte, Ben sobre ele, quando você o teve nos braços, você o achou parecido comigo ou com você? Me conte os detalhes, como são os seus cabelos? Que cor tem os olhos? Eu não tive a mesma sorte que você, eu nem sei como ele é. Eu nunca o vi. - falou ela com tristeza.

Gabriella agora sonhava com a possibilidade de Victor estar vivo em algum lugar. Isso a deixou cheia de forças e esperanças e por ele ela iria lutar até as suas últimas forças, por ele ela traria aquela gente para o inferno se preciso for, mas o filho dela, ela o teria de volta.

Capítulo 24

- TEUSCHER -

De última hora Steffany havia mudado os planos. Eles não mais viajariam de avião partindo de Düsseldorf e nem tão pouco viajariam pela auto-estrada, o que seria muito arriscado. A dedução dela é que tudo estaria sendo vigiado.

Eles viajariam na lancha até certo ponto e de lá pegariam um táxi. Depois seguiriam viagem e procurariam fazer como tudo fora antes planejado.

Um telefonema de Georg confirmou tudo com os australianos e os russos. Eles já se encontravam em Zurique.

Os australianos não estavam gostando como as coisas estavam sendo resolvidas e fizeram ameaças. Georg diplomaticamente explicou que tudo isso era para medida de segurança. Parecia que eles haviam gostado de ouvir isso.

Passavam catorze minutos da meia-noite do dia cinco de fevereiro do ano 2000 quando o EC - D 203, o expresso noturno que vinha da Itália numa curva perto de Colônia, mais precisamente em Brühl, descarrilhou.

O maquinista vendo que ele iria de encontro a uma das casas da proximidade da linha férrea mais que depressa abriu a porta e saltou indo de encontro ao muro da casa batendo com as costas e perdendo os sentidos na mesma hora.

Um baque surdo encheu a noite escura e nebulosa.

O impacto do primeiro vagão com o muro da casa fez com que os próximos vagões fossem tombando um a um.

As pessoas que dormiam no trem não conseguiram perceber de imediato o que é que estava acontecendo. Tudo tinha sido alucinadamente rápido demais.

A sensação que tinham é que o mundo parecia ter chegado ao fim. As janelas do lado esquerdo dos vagões estavam voltadas para o chão. As pessoas que estavam sentadas daquele lado da janela ficaram bem machucadas.

Muitas pessoas pediam calma e iam ajudando umas as outras a se levantar e se apoiavam nas poltronas que agora estavam de lado e que servia de proteção.

Um homem de aproximadamente cinqüenta e poucos anos escalou a lateral de uma das janelas que agora apontava para o céu escuro e tentou sair.

Ele olhou para fora e disse:

- Santo Deus! Mas que diabos aconteceu aqui!?

Na neblina que cobria toda a noite ele viu um homem sair da fumaça, e gritou:

-Hei! Você aí, pode vir nos ajudar?

Não ouviu resposta e nem a pessoa se virou para ver quem gritava do trem pedindo ajuda. Simplesmente a silhueta sumiu na noite escura.

Teuscher e Kling viajavam no mesmo trem.

Eles embarcaram em Frankfurt, pois receberam informações pelo celular que nenhum grupo australiano e nenhum grupo vindos da Rússia embarcaram em Zurique e nem mesmo em outra estação da Suíça, quando o expresso fazia uma pequena pausa para a troca de maquinista.

Teuscher não se convencera da mensagem recebida e do seu carro dirigiu-se imediatamente para a estação de trem em Frankfurt. Alguma coisa nesta história não batia muito bem. A não ser que eles tivessem alterado os planos. E com isso ele teria que contar, é claro. Mas mesmo assim ele não iria desistir da única pista que tinha.

Ele ainda havia perguntado à polícia suíça se algum outro grupo de estrangeiros havia embarcado no trem. Eles responderam que os únicos estrangeiros foram uns ingleses, mas que seus passaportes estavam em ordem e em nada esse grupo se parecia com as fotos que lhes foram enviadas.

Teuscher achou muito estranho. Eles não poderiam ter tomado outro trem. Pelo que ele sabia toda a transação seria feita nesse trem, pois este era o único trem noturno naquele dia. Mas se esses ingleses portassem passaportes falsos? E se estivessem disfarçados? É claro que a polícia suíça não iria perceber, talvez nem ele mesmo. Por isso, Teuscher havia tomado uma outra decisão. Ele mesmo queria observar cada passageiro desse trem, o que isso não seria nada fácil na atual circunstância. Verificar cada rosto seria um verdadeiro desafio para ele. E se a senhora Hallmanns estivesse nesse trem? Iria certamente logo reconhecê-lo e ai sim, tudo estaria perdido. Ele teria que ser extremamente cuidadoso.

Em Frankfurt Teuscher havia entrado no trem, totalmente disfarçado. Chapéu na cabeça, cachecol, um casaco comprido de frio, uma pasta de couro em uma das mãos. Por causa do seu disfarce ele foi obrigado a raspar o seu estimado cavanhaque.

Kling também estava disfarçado. Colocou uma barba postiça e bigode. Arrastava uma mala de rodinhas, como que tivesse acabado de descer no aeroporto em Frankfurt chegando de viagem de algum lugar.

Quando Teuscher e Kling deram com o vagão em que Ben se encontrava, Ben pode reconhecê-lo. Tudo encaixava com o que eles haviam combinado na delegacia pouco antes de Ben seguir para o encontro com Steffany na barca.

Ele avidamente com os olhos, fez sinal para Teuscher mostrando onde o grupo estava sentado. Pela aparência Teuscher deduziu serem os australianos. Ao mesmo tempo Ben fez sinal também para o próximo vagão onde possivelmente estaria Georg, Steffany e Klaus com os russos. Teuscher não chegou a vê-los, mas concluiu que era isso o que Ben queria dizer. Ele ainda pôde ver quando Ben levantou as mãos algemadas num bocejo. Com certeza Ben queria mostrar-lhe o quanto ele estaria impossibilitado de fazer qualquer coisa para ajudá-los.

Teuscher e Kling voltaram a seus lugares tentando pensar numa possibilidade de pegá-los. Mas como? Ele teria que dar continuidade ao plano, mesmo que Ben agora não poderia mais fazer a sua parte como eles combinaram. Por todo o trem havia homens da policia espalhados só esperando pelo comando de Teuscher.

Foi nesse exato momento que o acidente do trem se deu.

Teuscher e Kling foram pressionados para a frente e jogados de suas poltronas. O vagão onde eles estavam não havia virado, mas pela pressão que eles sofreram, Teuscher podia pensar no pior.

Sua maior preocupação foi com Benjamin Hallmann que estava no vagão da frente algemado. Teuscher de certa forma se sentia responsável por ele e principalmente pelo pedido que Gabriella lhe havia feito antes que ele partisse para essa missão.

Ele estava exatamente em sua sala conversando com Kling a respeito das dificuldades desse caso.

-Essa gente está nos dando um bocado de trabalho e eu não vejo um final promissor em toda essa história, não. Espero que o que planejamos com o senhor Hallmann dê certo.

-Como assim Chefe? O senhor acha que aquela mulher seria mesmo capaz de matar uma criança? - perguntou Kling.

-Em se tratando deles, não podemos duvidar.

Pouco depois, Teuscher recebeu o telefonema de um dos agentes federais que também estava cuidando do caso.

-Nós conseguimos localizar a barca por onde eles fugiram, inspetor.

-Wunderbar! - exclamou Teuscher. - Maravilha!

-O que foi, chefe? - quis Kling saber. Mas ele fazia sinal com a mão para que ele se calasse. Pois o agente continuava falando ao telefone.

-Deixaram a mulher e a criança amordaçados na barca. Eles estão bem e nós estamos a caminho.

-Ótimo! Finalmente uma ótima notícia.

Quando ele desligou o telefone, ele carinhosamente abraçou Kling. Este por sua vez não entendeu o que estava acontecendo.

-Você me perguntou se aquela mulher seria mesmo capaz de matar aquela criança, não foi? - Kling só balançou a cabeça numa afirmativa. - Agora eu posso te responder. Ela não seria capaz de matar aquela criança. - e então Teuscher lhe contou sobre o que acabara de ouvir.

-Precisamos acionar a polícia costeira e a policia rodoviária. - disse Kling empolgado.

-Isso será impossível Kling, primeiro porque ninguém sabe que estrada eles tomaram e para se chegar à Suíça há muitos caminhos. O mais sensato a fazer é pegarmos um avião que nos leve até Zurique e lá tentar localizá-los através do pessoal que já está em alerta.

-É pra já inspetor.

Com a chegada de Gabriella e Victor à delegacia, Teuscher ficara sabendo das mudanças dos planos de Steffany quanto à transação no dia seguinte.

Por isso ele e Kling não iriam mais até Zurique como eles planejaram com Benjamin Hallmann e sim eles voariam até Frankfurt.

-Por favor inspetor, quero Ben vivo nessa história toda.

-Faremos o possível senhora Kolberg, mas não podemos garantir grandes coisas. O senhor Hallmann sabia dos riscos e mesmo assim decidiu colaborar conosco.

Essa tinha sido a conversa que ele tivera com Gabriella assim que ela e o filho foram libertados por Steffany.

Teuscher e Kling estavam bem e nada sofreram com o baque do trem, mas eles ainda não haviam achado Ben em meio a tantos que iam e vinham retirando os destroços. Teuscher não teve lá grandes esperanças quando viu os dois vagões mais à frente onde ele estava.

Naquela noite, não só fazia muito frio como a neve caía sem parar e isso dificultaria o serviço de ajuda médica e de resgate.

Os trilhos do trem onde estava o vagão número três estavam retorcidos e eles iriam precisar de guinchos para ajudá-los. Os destroços eram impressionantes e dava para arrepiar. Tudo ficou reduzido como uma lata de sardinha.

A ajuda chegou rapidamente e logo grandes holofotes iluminaram o local. As pessoas estavam sendo retiradas lentamente.

Os gritos eram muitos e uma confusão de pedidos de ajuda chegava a cada instante.

Os bombeiros trabalharam toda a noite retirando as vítimas. Já somavam um total de 47 feridos e 10 mortos.

O noticiário naquela madrugada dizia que o maquinista, um recém contratado da rede ferroviária não havia respeitado a sinalização, pois naquele trecho por causa da obra que estava sendo feita ali, ele deveria ter reduzido a velocidade de 120 km para 40 km. E que embora ele estivesse muito machucado, o maquinista sobreviveria ao acidente mas que ele se encontrava em estado grave no hospital em Colônia.

Na verdade, a rede ferroviária não tinha nenhuma ficha do homem que estava dirigindo aquele trem e como a rede ferroviária estava passando por sérios problemas financeiros, ela não queria que isso viesse à tona.

O verdadeiro maquinista que deveria estar dirigindo aquele trem naquela noite estava hospitalizado em uma emergência para uma lavagem estomacal de última hora. Ele havia comigo uma lata de sopa de ervilhas e que possivelmente estaria estragada. Isso era tudo que os responsáveis da rede sabiam.

******

HANS GUNTHER

Gabriella não conseguia dormir, ela esperava que o telefone tocasse a cada momento. Ela assistia ao noticiário e ouviu sobre o acidente do trem, alguma coisa lhe dizia que este deveria ser o trem onde Steffany e Georg faria a transação e que possivelmente Ben estaria nele também.

Ela foi até a janela do apartamento e ficou olhando a neve cair silenciosa lá fora. As ruas, os telhados das casas, as árvores, tudo estava branco. De repente toda a noite havia embranquecido ao menos para ela. Ela tremia tanto de frio como de medo e pavor. Ela sentiu uma dor no peito ao pensar onde Ben poderia estar agora?

Victor e Karin dormiam no quarto, ela estava sozinha com seus medos e aflições. Deixou as lágrimas rolarem face abaixo, ela não precisava segurá-las, e não precisava escondê-las de ninguém.

Também podia se lembrar das últimas palavras de Ben a ela ao se despedir dela e de Victor na barca.

-Cuide bem de você e do nosso filho.

E então ele chamou Steffany.

No começo ela não entendeu o que ele queria dizer com aquelas palavras. Mas quando ela ouviu parte da conversa que ele estava tendo com Steffany e de como ela o beijava. Gabriella entendeu que ele estava novamente disposto a se sacrificar pela liberdade dela e do filho. E agora ele poderia estar morto.

Os repórteres entrevistavam alguns dos sobreviventes que nada sofreram no acidente do trem.

-E o senhor, viu alguma coisa de como o acidente aconteceu? - perguntou o repórter.

-Eu dormia, não vi nada,

-E o senhor?

-Tudo o que sei é que pedi a um homem que nos ajudasse e ele desapareceu na neblina.

-E o senhor aqui, é verdade que o senhor queria comprar tickets para o vagão número "3" e a vendedora no clichê disse-lhe que já estavam esgotadas?

-Sim, é verdade. E dou agora graças a Deus que aquela vendedora falou assim, pois salvou-me a vida.

-Mas na verdade, só havia seis pessoas naquele vagão, o senhor não acha pouca gente para que o vagão estivesse lotado como aquela vendedora falou? O senhor não acha estranho?

-Estranho ou não moço, o fato é que eu estou vivo e todas as pessoas daquele vagão e do outro mais a frente também estão mortas agora - repetia o homem.

O repórter se virou para a câmara que transmitia ao vivo as últimas notícias do local do acidente numa edição extraordinária e completou:

-Parece um caso estranho, mas se trata apenas de mais um acidente como acontecem todos os dias. Chegou agora em minhas mãos a lista dos nomes daqueles que morreram no acidente.

O coração de Gabriella pulsou forte e ela correu para perto da televisão enquanto o repórter continuava.

-O candidato à reeleição Georg Hallmann, sua cunhada Steffany Hallmann, seu irmão Klaus Gühmann, o redator do jornal em Düsseldorf Arthur Kostner, três australianos homens de negócios que estavam sendo procurados pela polícia na Austrália cujo nome foi vedado pela Interpol e outros que a polícia ainda não conseguiu identificar os corpos.

A pergunta que a polícia faz a si mesma é que envolvimento teria o candidato do senado Georg Hallmann com estes australianos envolvidos com a máfia? E será que tudo o que aconteceu aqui não foi um atentado? Mas por quem? Será que o irmão do Ministro, o popularíssimo Benjamin Hallmann, dono do jornal da cidade e dono de várias revistas de sucesso, e que é suspeito no caso da mulher encontrada morta nas margens do rio Reno, também estaria viajando no mesmo trem? Será que ele é um desses corpos que a polícia ainda não identificou? A polícia que está presente no local não quer dar maiores informações sobre este caso bastante sinistro e pouco esclarecido para a população. Aqui fala o repórter Hans Gunther ao vivo de Brühl local do acidente.

Gabriella continuava sem saber se Ben estaria vivo ou não. De repente ela caiu em si.

-Meu Deus! Arthur, não! - ela não podia mais controlar as lágrimas.


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BEN X GABRIELLA


Kling e Teuscher andavam para lá e para cá procurando entre a multidão um rosto conhecido. Na verdade eles estavam à procura de Ben.

-Você conseguiu achá-lo nas barracas onde estão os feridos, Kling?

-Em lugar nenhum, inspetor.

-Você verificou se eles já fizeram alguma lista com os nomes dos feridos?

-Isso está sendo feito agora. De qualquer forma temos que esperar, inspetor.

Mas Teuscher não queria saber de ficar com os braços cruzados esperando, ele precisava fazer alguma coisa.

De repente a janela de um vagão foi quebrada um homem apareceu pedindo ajuda. Ele não podia enxergar nada sem seus óculos e logo dois homens que pertencia ao grupo de salvamento subiram no vagão tombado e entraram lá para retirá-lo. Ben estava bem, salvo a alguns arranhões e um ferimento em uma das pernas que lhe doía.

Pouco depois, Teuscher e Kling o avistaram na cabana de lona feita pelo grupo Cáritas que estava no local do acidente para ajudar os passageiros levemente feridos. Teuscher ficou feliz em achá-lo vivo. Decididamente ele admirava Benjamin Hallmann.

Ben tentou levantar-se, mas o ferimento na perna não permitiu.

-Inspetor, o senhor já viu alguém do grupo que estava com Steffany? - perguntou Ben preocupado.

Teuscher lhe respondeu que não havia muito o que fazer por eles, pois o vagão onde eles estavam tinha sido o mais afetado e que até agora todos os que se encontravam lá não foram retirados com vida e que ele precisaria mais tarde identificar o que havia restado deles.

-E os australianos que estavam no mesmo vagão com o senhor?

-Eu não os vi. Devo ter ficado inconsciente por alguns momentos porque quando dei por mim eu estava sozinho no vagão.

Teuscher percebeu que não havia muito o que fazer ali.

-Posso levá-lo para casa, senhor Hallmann?

-Eu agradeceria muito, inspetor.

Ben desligava agora a televisão. Um sentimento de vazio e solidão invadia o seu coração. Todos que ele conhecia estavam mortos, inclusive Arthur. Uma sensação de impotência tomou conta dele e começou a chorar, mas ele sabia que esta tinha sido a melhor solução. Pelo que a polícia lhe informara, havia sido realmente um atentado, tudo fora planejado para que saísse assim. Mas por quem? A polícia tinha absoluta certeza de que os vagões número “dois” e “três” tinham sido o alvo.

-Por que você, Arthur? Por quê? Por que você tinha que estar no mesmo vagão com toda aquela raça ruim? - Ben não se conformava.

Ben abraçou Gabriella com força e choraram a dor da perda do verdadeiro amigo que eles tiveram: Arthur Kostner.

-Markus, precisamos entrar em contato com Markus. - falou ela olhando nos olhos Ben.

-Tudo isso é triste demais, logo agora que Arthur descobriu que Markus era seu filho. Ele que sempre desejou ter um filho, que lutou tanto durante toda a sua vida, que perdeu Melanie que perdeu Claire seu grande amor de juventude e que agora nem pôde desfrutar a alegria de ser pai. - As lágrimas rolavam pelo rosto de Ben sem parar.

-Vamos ligar para Markus. - falou Gabriella.

Ben e Gabriella tentaram muitas vezes e dias seguidos. Deixaram recado na secretária eletrônica, deixaram recado na secretária do telefone celular de Markus, mas nenhuma mensagem de volta. Eles se deram conta que não tinham como localizar Markus Krämer.